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Quanto gastas mesmo por mês no teu restaurante? (incluindo o dinheiro vivo)


Fechaste mais um mês cheio. A sala esteve composta, a cozinha não parou, o multibanco quase não descansou. Mas quando olhas para o saldo do banco, o número não bate certo com a sensação. Trabalhaste tanto, e afinal sobrou tão pouco. Para onde foi o dinheiro?

Esta é a pergunta mais importante que um dono de restaurante faz. E a maioria não consegue responder com um número. Não é por falta de trabalho. É por falta de saber quanto gastas por mês. O total real, tudo somado.

Faturar muito não é ganhar muito

Faturação alta engana. Podes ter o restaurante cheio todos os fins de semana e mesmo assim fechar o mês no vermelho. O que entra pela porta não é teu. É teu o que sobra depois de pagar tudo o que saiu.

A pergunta certa nunca foi "quanto faturei". É "quanto sobrou". E para saber quanto sobrou, tens de saber quanto saiu. Não uma parte. Tudo.

A maioria dos restaurantes que fecham não fecha por falta de clientes. Fecha porque o dono nunca soube ao certo quanto gastava, onde gastava, e só percebeu que havia um problema quando o dinheiro já não chegava. A conta do banco é o sintoma. O número que falta é a causa.

O teu contabilista só vê metade

O teu contabilista vê as faturas que lhe entregas. Vê o que passa pelo banco. E faz o trabalho dele bem. Mas há uma parte inteira do teu restaurante que nunca chega à secretária dele: o dinheiro vivo.

Pagas o peixe fresco a dinheiro na lota. Dás uns euros ao senhor das ervas que aparece à porta. O frigorífico avaria ao domingo e o técnico só aceita numerário. São dezenas de pequenos pagamentos por mês, muitos sem fatura, alguns com um talão que se perde no bolso do avental.

Isto não é esconder nada. É a realidade de quem gere um restaurante no dia a dia. Mas se esse dinheiro não fica registado em lado nenhum, o teu retrato financeiro tem um buraco. E o buraco é sempre do lado das despesas, o que faz o mês parecer melhor do que foi.

Há ainda o problema do tempo. O contabilista fecha as contas semanas depois de o mês acabar. Quando recebes o número, já estás a meio do mês seguinte a cometer os mesmos erros. Precisas de saber hoje, não daqui a três semanas.

O erro que quase todos cometem: misturar as duas carteiras

Tiras 50 euros da caixa para almoçar. Pões gasolina no carro com o cartão do restaurante. Pagas a escola do miúdo e, já agora, o fornecedor de bebidas, da mesma conta. No fim do mês, ninguém consegue dizer o que foi do restaurante e o que foi teu.

Enquanto o dinheiro pessoal e o do negócio andarem na mesma carteira, nunca vais ter um número em que confies. A regra é simples: tudo o que é gasto do restaurante, entra como gasto do restaurante. Sem exceções, mesmo quando saiu do teu bolso a dinheiro.

Como saber quanto gastas por mês no restaurante

Não precisas de ser contabilista. Precisas de método. Estes cinco passos chegam:

  1. Junta tudo num sítio só. Faturas de fornecedores, recibos, talões e também o dinheiro que saiu sem papel nenhum. Se ficar espalhado por gavetas e bolsos, o número nunca aparece.
  2. Regista no momento. Uma despesa por registar é uma despesa esquecida. Fotografa a fatura na entrega, aponta o pagamento a dinheiro no próprio dia.
  3. Divide por categorias. Alimentação, pessoal, instalações, utilidades. Saber que gastaste 4.000 euros não ajuda. Saber que 1.200 foram em carne e peixe já te diz onde olhar.
  4. Inclui sempre o dinheiro vivo. É a diferença entre um número aproximado e o número real. É precisamente a parte que o resto do mundo não vê, e a que mais te engana.
  5. Compara mês a mês. Um mês isolado é uma foto. Três meses lado a lado são um filme, e é no filme que vês os preços a subir e as fugas a crescer.

Feito isto, tens finalmente o número que faltava. E com ele, pela primeira vez, consegues cruzar o que gastaste com o que vendeste e ver o Resultado do mês: se sobrou ou se faltou.

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