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Como calcular o food cost do teu restaurante (e porque é que importa)

O food cost é a percentagem da tua faturação que gastas em ingredientes. Aprende a calculá-lo prato a prato e no mês inteiro, com um exemplo passo a passo, e a perceber se o teu restaurante está realmente a dar lucro.

Atualizado em 19 Jul 2026 · 6 min de leitura

O food cost é a percentagem da tua faturação que gastas em ingredientes. Num restaurante tradicional saudável, fica entre 28% e 35%. É um dos indicadores mais importantes na gestão de um restaurante, e um dos mais ignorados: a maioria dos donos sabe o que fatura, poucos sabem o que gastam por prato. Este guia mostra-te como calcular o food cost, prato a prato e no mês inteiro, com um exemplo passo a passo.

O que é o food cost?

O food cost é a fatia de cada euro que vendes que se vai em matéria-prima. A fórmula é simples:

Food cost (%) = (Custo dos ingredientes ÷ Preço de venda) × 100

Por exemplo: se um prato de bife te custa 4€ em ingredientes e o vendes por 16€, o food cost é 25%. Ou seja, de cada 16€ que entram, 4€ vão para o prato e 12€ ficam para pagar tudo o resto: pessoal, renda, energia e a tua margem.

Qual é o food cost ideal?

Depende do tipo de estabelecimento. Como referência para o mercado português:

Tipo de estabelecimentoFood cost ideal
Restaurante tradicional28-35%
Pizzaria25-30%
Café / snack-bar20-28%
Fine dining30-38%

Acima de 35% numa operação normal é sinal de alerta: ou os preços de venda estão baixos, ou há desperdício, ou o aprovisionamento não está controlado. Muito abaixo do intervalo também pode ser um aviso, às vezes significa porções curtas ou preços altos demais para o teu público.

Food cost teórico vs food cost real

Há dois números com o mesmo nome, e confundi-los é o erro mais caro.

O food cost teórico é o que os teus pratos deviam custar, calculado a partir das fichas técnicas: os ingredientes e as quantidades certas de cada receita, ao preço atual.

O food cost real é o que os pratos custaram mesmo, calculado a partir do que saiu do stock: compras e variação de inventário, a dividir pelas vendas.

A diferença entre os dois é dinheiro que desapareceu sem aparecer na receita: desperdício na preparação, porções maiores do que a ficha, quebras, produto fora de validade, erros de contagem. Se o teórico é 28% e o real é 34%, tens seis pontos percentuais a fugir todos os meses. Saber isto é o primeiro passo para o travar.

Como calcular o food cost prato a prato (exemplo passo a passo)

Para cada prato precisas de três coisas: a ficha técnica (ingredientes e quantidades), o preço atual de cada ingrediente e o rendimento real (1 kg de lombardo dá cerca de 750 g depois de limpo, e é sobre esse peso útil que deves calcular).

Vejamos um bife com batata e legumes, vendido a 16€:

IngredienteQuantidadeCusto
Vazia de novilho (15€/kg)200 g3,00€
Batata (1,20€/kg)250 g0,30€
Legumes de guarnição0,40€
Óleo, sal e temperos0,30€
Custo total do prato4,00€

Food cost = 4,00€ ÷ 16,00€ × 100 = 25%. Este prato deixa-te 12€ de margem bruta por venda. Repete o exercício para os pratos que mais vendes e sabes quais é que estão a puxar a tua rentabilidade para cima ou para baixo.

Food cost por prato vs food cost do mês

O cálculo prato a prato dá-te o food cost teórico. Para o food cost real do negócio, olhas para o mês inteiro:

Food cost mensal (%) = ((Stock inicial + Compras − Stock final) ÷ Vendas) × 100

Exemplo: começas o mês com 2.000€ de stock, compras 8.000€ em mercadoria e terminas com 1.500€ em stock. Consumiste 8.500€. Se faturaste 28.000€, o teu food cost real foi 8.500 ÷ 28.000 = 30,4%.

Precisas dos dois números. O do prato diz-te onde ajustar a carta; o do mês diz-te se o negócio, no conjunto, está dentro do saudável.

Os erros mais comuns

  • Calcular uma vez e nunca atualizar. Fazes as contas em janeiro e assumes que estão certas o ano todo. Os preços dos fornecedores mudam a meio do mês, e a tua margem cai sem avisar.
  • Ignorar o rendimento. Calcular sobre o peso comprado e não sobre o peso aproveitável esconde uma parte real do custo.
  • Confundir teórico com real. Se só olhas para a ficha técnica, não vês o desperdício nem as quebras.
  • Esquecer o dinheiro vivo. Aquilo que pagas em numerário, sem fatura, também é custo de mercadoria e tem de entrar na conta.

Perguntas frequentes

O que é um bom food cost para um restaurante? Num restaurante tradicional, entre 28% e 35%. Varia com o tipo de casa: pizzarias tendem a ficar mais baixas, fine dining mais alto.

Qual a diferença entre food cost teórico e real? O teórico vem das fichas técnicas (o que os pratos deviam custar). O real vem do stock consumido (o que custaram mesmo). A diferença é desperdício, quebras e porções fora da ficha.

Como reduzir o food cost sem perder qualidade? Renegocia com fornecedores usando o teu historial de compras, revê as porções, ajusta os preços dos pratos com margem fraca e ataca o desperdício. Pequenos ajustes nos pratos que mais vendem têm o maior impacto.

Com que frequência devo calcular o food cost? No mínimo, uma vez por mês. O ideal é ter os custos a atualizar sempre que registas uma fatura nova, para nunca venderes ao preço errado.

Como o Tinz resolve isto

O Tinz lê as tuas faturas automaticamente (basta uma foto) e atualiza os custos dos ingredientes em tempo real. Cada vez que o teu fornecedor de carne sobe o preço, os pratos afetados são sinalizados, antes de chegares ao fim do mês com uma surpresa.

Podes ver o food cost atualizado de cada prato, comparar com o mês anterior, e perceber exatamente onde está a escapar o dinheiro, com o teórico e o real lado a lado.


Lê também: Que pratos do teu restaurante dão mesmo lucro e Gestão de stock no restaurante: por que é sempre mais difícil do que parece.

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